A chuva da calçada

E desce
Em tamanho e proporção
Uma chuva densa e grave
Que de pingo em gota
Vai formando poça
E estalando forte sobre o chão.

Se cada gota me levasse
Da memória uma lembrança
Já teria enchido um poço
Com história e amores,
Com recordações e contos,
Com meus pobres velhos rostos.

Mas é prata que cintila
A água fina que
desagua.
Não é triste nem é nada
É apenas pura água
O que escorre e o que se cura
E que desmancha na calçada.

3 Sussurros:

Phyhernandes disse...

Lindo, lindo, lindo!
Perfeito para um dia como o de hoje.
Beijos

Delírios Cotidianos disse...

Muito lindo hein moça, um motivo estupendo esse para escrever...

Jaime A. disse...

A chuva trouxe este teu poema lindo.
Engraçado como o poeta português António Gedeão escreveu também sobre este tema (doutro modo, claro). Queres ir procurar? Chama-se "Lágrima de preta" de António Gedeão (acho que vais gostar).

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