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28/01/2012

Meu discurso de Formatura

Discurso proferido em oração à turma de Letras Portuguê/Françês por ocasião de formatura em 27/01/2012


Boa noite a todos os presentes à mesa, aos amigos formandos que aqui se encontram e ao público.

Minha turma deixou em minhas mãos essa honrosa tarefa confiando nas palavras que eu pronunciaria hoje aos nossos mestres e aos nossos parentes e amigos; pessoas que de alguma forma estiveram conosco ao longo desta caminhada que não se encerra na noite de hoje.

Aqui sentadas hoje, somos apenas quatro mulheres; quatro mulheres das quais compuseram no ano de 2008, nosso ano de ingresso no curso de letras/francês, uma turma de 25 pessoas. Estimativas a parte, acredito que não preciso dizer a vocês o quanto é difícil chegar até aqui. O sucesso destas quatro mulheres não se deve somente a uma caminhada individual de cada uma como estudante, pensadora e futura professora. Não, esse sucesso se deve principalmente ao clima de companheirismo que reforçamos ao longo dos quatro anos em que passamos juntas.

Nesses anos em que convivemos, um sentimento de companheirismo forte e sincero se instalou dentro de nós nos tornando mais humanas e nos mostrando o significado da verdadeira amizade. De leste a oeste, de cima a baixo, de uma ponta a outra somos mulheres de antípoda, ou seja, estamos em etapas diferentes da vida. Muito diferentes em idade, em conhecimento; muito diferentes por isso mesmo nas habilidades com que lidamos com os percalços que o curso exige. Mas essas diferenças não nos afastaram, pelo contrário, arrumamos uma forma de nos complementar.

E quando as dificuldades se apresentaram através dos mais diversos problemas pessoais e profissionais esse clima de amizade se mostrou justamente: na palavra das mais velhas e nos ouvidos das mais novas, na assistência das mais novas e no acolhimento desinteressado das mais velhas. Respeitosas às nossas diferenças, aprendemos a estar sempre abertas às novas formas de encarar a vida, da mesma forma com que não fechamos os ouvido aos conselhos daqueles que já viveram um pouco mais que nós. Quero que vocês compreendam com isso não a distancia entre nós, embora eu tenha enfatizado bastante isso, mas a proximidade que inauguramos olhando não só para nossos problemas, mas dividindo a vida umas com as outras.

Em nome desta união gostaria então de agradecer àqueles que de alguma forma estiveram conosco:
Aos pais, por quererem e exigirem o melhor de nós;
Aos amigos pelos incentivos e pela força positiva nos momentos de fraqueza;
Aos nossos filhos pela compreensão devido a nossa ausência em várias fases em que o trabalho foi intenso;
Aos nossos mestres pelo carinho e a paciência com que nos conduziram nesta jornada;
Aos companheiros, namorados e maridos pelo incentivo e o apoio;
A todos aqueles que de alguma forma consideramos parte da nossa família;
E a Deus.

Felicidades a todos nessa nossa futura jornada,

Obrigada.


23/10/2011

A day in the life

Águas fluídas....vento a todo pano...
E o pensamento passa como passa o gato.
Cinzento, pacato e manso.
A cama nadando na imensa escuridão do quarto.
Ouço passos...um TIC...um TAC...um rato!

A união tênue entre o teto e o rejunte da parede
Revela mais que a frase bem estruturada:
E o argumento aqui não me vale nada!
Um poeta esquecido me sussurra ao pé d’ouvido:
Que a vida vai curta... num rio de sêmem verde...

Esta noite sou o próprio Coração Selvagem
Mas sem coragem pra “mais nada”.
Assim que terminava seus sonetos;
Sem vigor, sem pele, só língua cansada.
Contando as sílabas, envergando a própria imagem.

Paralelismos: quanta bobagem!
Vinde a mim os meus poetas
Que é deles o reino oco da cabeça vazia.
A virada faz a música progressiva;
Só sei da noite vazia...redundantemente o nada.

22/09/2011

Tuas vírgulas, minha solidez

Amores de infância... filho da minha juventude,

Meu amigo, meu irmão: parte do meu coração.
Guardo em ti a mocidade tensa,
Os dias do meu eterno regresso à tua mente perversa.
Tuas vírgulas, minha solidez guerrida e cáustica...
De meia volta, volta e meia volta na vida que não presta
E passa...
Fundida meia, cossa em ferro: Maleabilidade plástica.
Sou a Cria torpe e densa da tua imagem gasta,
Tua Literatura negra e fantástica!

20/08/2011

Nunca mais

Nunca mais um abraço,
Nunca mais um sorriso,
Uma mão, um olhar.
Nunca mais a nascente lágrima
Que escorre em meu rosto
Sujo e roto de tanto chorar.

10/02/2011

À Marília de Cecília


Marília tinha um lenço...
Umedecido de lágrimas perdidas,
Apertado com força entre a palma e os dedos,
Estancava o azul de uma veia partida.

Sentada de costas à porta,
Marília zangada e chorosa esperava visita.
E sabia que o dia sangrava cansado,
E sabia que à noite o amor não viria.

Entre as rosas e as linhas bordadas,
Sossegava Marília mentindo,
Que no seu coração se acalmava
Uma força sem mal nem medida.

12/08/2010

A luz solar na praia refletida

Faz tempo, um dia eu vi,
num destes arrabaldes de solar,
mundialmente conhecido como mar,
a luz de foz traçada clara sobre um vidro.

Meu Deus!
Não sou atéia, mas duvido,
que nesta terra úmida de limo
a areia branca possa ao por do sol iluminar.

Um concerto de luar, azul azul de enfeitiçar
um olho negro, um céu vermelho,
o paradoxo solar no espelho,
e minha voz emudecida pela voz do mar.

Me contem outra história
caduca de palavras repetidas,
porque não há visão melhor pra se lembrar
do que a luz amortecida deste mar
guardada pelo vão do sol na minha retina.

26/07/2010

O Coringa, um pervertido

Um pervertido
que troca de caneta, de gosto, de rosto,
na mais satisfatória vontade de definir as coisas da vida.

É pervertido,
não perverso, nem travestido.
Não!

Antes bem mais um príncipe abastado,
rico de palavra, cujo universo somente pode existir
mediante ao exercício constante da arte de polir a metáfora.

Um pervertedor, um adjetivador,
biruta, pirado, sem compromisso
com a lógica razão lógica.

O curinga nada mais é
do que o arlequim magricela do folclore veneziano
que rouba demasiadas vezes a mulher do Pierrô.

Eis o poeta.

Nunca puro, nunca casto.
Não contêm a sua natureza
nada que remeta a qualquer ideal castratório.

Não é, porém, marginal num sentido criminoso.
Está mais para um vadio, um vagabundo luxurioso
que perverte os outros à sua prática ilusória da Poesia.

Sussurros

A poesia é algo de viceral,
doente!
Qualquer coisa quente
que se escapa quanto também escapam
os sentidos da razão irreal,
Irreal,
tosca,
Doente!

22/04/2010

Sobre desejos

Os dias sucedem aos dias
E os homens, aos homens.
Cada geração põe a ferro
Todas as provações humanas.


É como se todos os desejos
Se repetissem infinitamente
Em cada novo choro de criança.

Dedico o verso

Te dedico este verso
De palavras tão pardas,
Corações tão frágeis
E melodia quebrada.

Queria que o som
Que voasse do nada
Me viesse, sonora,
A cantar tua história.

Sei da tua morada,
No meu seio e de cada
Sensação entoada
Em teu tom, direção.

Por favor não me mate,
Nem me cure tão forte
Pois eu quero viver
Deste som que me falta.

Hoje só sei que me bate
Num vagar sem a causa
Um sonar que não pausa
E que grita o teu nome.

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