Ler em silêncio

Diz sem dizer,
Fala sem falar.
Pois sobre a garganta muda
se acumula um peso,
Uma pesada mão invisível
Que lhe faz até o soluço calar.

Nos mais profundos olhos
Marejados de cinza
Lampejam raios de prata,
Navegam barcos de tinta
Que o silêncio, de todo,
Já não os pode amparar.

Não é o medo
O que pinga entre os dedos.
É o acumulo do tempo,
A razão partida no meio,
O brotar d’uma ruga suave
Que a idade não pode explicar.

E nem a ideia falha
Se basta naquele momento
Em que a tempestade faz curva,
Em que a ventania faz vento
E que a alma frágil se parte
E se revolta toda por dentro

7 Sussurros:

Jaime A. disse...

Uma lenta descrição que culmina no "verbo" em que o poema adentra.
Adorei (como sempre!).

Lorenzo Tozzi disse...

confesso que gosto desse poema. serei, no entanto, loser ao afirmar que estou ainda buscando o que, nele, mexe comigo. darei um tempo para lê-lo novamente, daí te explico. um beijo!

Filipe D. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Filipe D. disse...

nteressante a forma como descreve a profundidade e a partícula que define um momento de fantasia nos olhos por exemplo.

Ou mesmo a concretização das circunstancias que se somam quando se interage nesse mundo místico de particularizar sentimentos, como o medo, o tempo!!

Da hora!! =)

Marcelo Novaes disse...

Silvana,



Se o acúmulo do tempo "parte a razão ao meio", também des-ilude das desrazões de antes. Ficar mudo por um tempo pode ser bom. Até ter o que dizer...









Beijos,







Marcelo.

Filipe D. disse...

Que isso, a alegria eh minha!
=)
Farei o mesmo quanto a ler seus poemas, que são muito expressivos, com olhar minucioso!

Realmente eu carecia de conhecer alguém entrenhado(rs) nesse mundo de poesia, que não é tão diferente assim do meu!

bjoO**

Phyhernandes disse...

Lembra Florbela Espanca.

Bem tu sabe né Silvana que adoro teus poemas, escreves de um jeito que,ás vezes, invejo. Tão maduros os versos... Perfeitos. A musicalidade que eles têm. A beleza, a suavidade... a tristeza, a alegria contida. Além de uma das coisas que mais admiro no teu trabalho a pureza dos versos e dos sentimentos.
Bjo poeta.

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Sou o verbo: o estado, o tempo e a ação contínua.

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