Cabo das tormentas

(cemitério de navios)




Eu quero que a água que trouxe

Leve de volta.

Pois desde sempre recolhi na beira

Os pedaços de tudo que a maré

Carregava enjoada e revolta.


Eu nasci na cidade das águas

Onde mar tem trazido os destroços de si.

Recolhi cada qual como o nada,

Cada um como um pouco de mim.

Mas não pude evitar a chegada.


Quando formavam de todo um navio

Colocavam-se em pé sobre a água,

E partindo sem dó nem parada

Só deixavam comigo um vazio

E uma voz em tormenta velada.


Que leve de volta

E na volta não morra tão calma.

Pois que eu que embalei a jornada

Já não tenho mais força nem alma

Para juntar os pedaços de mim.

5 Sussurros:

Phyhernandes disse...

De arrepiar!
Adorei.

Filipe D. disse...

Nada é nosso!, e quando pensamos que temos, puft......sumiu!!

Mto locooooo!!=)

reTALHOS da vida disse...

Lembrei de uma citação, na qual a vida era comparada com o mar, no qual vemos o ponto de partida, na praia, mas no horizonte, nada, nada...
Ter o que juntar, é carregar a bagagem da vida, seja ela trazida pelo mar ou pelo vento...
Porem uma coisa aprendi.
A bagagem mais pesada está em nossa mente...
Teus traços são lindos de sorver...
Bjus

Rocky disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rocky disse...

Tomei a liberdade de escrever, finalmente, tenho alguns poemas meus em comunidades q uma amiga criou, o seu blog é daqueles q mesmo tendo preguiça de ler, eu leio tudinho, mas só nao vi tdo ainda por q estou bêbado,voltarei mais vezes pra dar uma conferida.
Excelente, Tá de parabéns...

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Sou o verbo: o estado, o tempo e a ação contínua.

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