O acordo

Meia noite sossegada
Vejo o prado ruazinha.
Passa ao longo o fino vento
Que me leva o pensamento,
E faz gelar até a espinha.

Meia noite encruzilhada
Me pergunto quem caminha.
Vem a voz do firmamento
Vem com sopro grave e seco,
Faz gelar até a espinha.

– Quem és tu?
­– Sou o preto Principá,
Vim das bandas do Oeste
E teus sonhos vão comigo,
Vão comigo eu vim levar.

– Vais levar baú vazio,
Que a muito deixará,
Tão pesado que se preste,
Que se preste a te enganar.

– Vens contar história velha
Para alguém que faz trabalho
A arte antiga de enganar?
Te sugiro então trocar.

– Trocarei então contigo.
Quero um Dom, meu velho amigo.
Quero o dom de me expressar
Para nas dobras deste tempo
Minha letra aqui deixar.

– Feito!
Levo então aqui comigo
Da medula ao pensamento,
Levo a alma e deixo o corpo
Que é pra ti ficar com o sopro
Da inspiração por dentro.

1 Sussurros:

Phyhernandes disse...

Blues da encruzilhada.

Quem sou eu

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Sou o verbo: o estado, o tempo e a ação contínua.

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