A febre d'outono

Minha doença é dos olhos
E eu já não tenho pouca febre.

Minha esperança é intensa
E minhas preces, todas leves.

Adoeço nestes dias tão tensos
Como não eram noutras épocas.

E minhas angústias no lenço
Me levam sempre aonde querem.

Admiro os que não cismam,
Os que não olham somente com os olhos,

Os que não matam, não mentem,
Nem cultivam memórias tão breves.

Minha doença é dos olhos:
Quanto mais me vejo, mais adoeço,

E os fios do laço que guardam o tempo
Conservam de todo o calor da febre.

6 Sussurros:

Í.ta** disse...

ritmado. adorei!

Filipe D. disse...

Ritmado, todos os seus versos são.

Agora encontrar a segunda beleza da poesia, o entendimento, nem sempre é tão claro.

Mas o tempo que confina a doença dos olhos, e manifesta-se na febre, nesse nojo do mundo que de vez enquando nos acomete, no sentimento de incompreensão às vezes particular de si para com os outros, essa sensação de de vez enquando persar ser sozinho nessa loucura......

isso eh demaisss, além do ritmo!!!

Abraços poetisaa!!!

Rafael disse...

Que lê uma obra singular como essa, sente-se em uma dança da qual não cosegue não deixar-se levar... Sil... a "nossa" doença é dos olhos, e a febre é a cortina que não deixa-nos enxergar as angústias mais fundas...aquelas que deixamos no fundo da alma... Dos fios do tempo, somente as Parcas sabem e são delas os desígnios dessa consciência tão breve!

Zé urbano disse...

http://pablotreuffar.blogspot.com/
Dá uma olhada! Muito loco o cara rsrsrs. abç

http://tirocurto.blogspot.com/
Esse é bom também.

Jaime A. disse...

Adoro este poema, como de tantos outros poemas seus e regresso tantas vezes a ele.
Tenho saudades do futuro, de outros poemas seus. Ainda terei de esperar muito?

Everton Merlin disse...

Silvana querida, por favor, pare de escrever maravilhosamente bem!hehe!


Brincadeira, cada vez que visito teu blog é uma caixinha de boas surpresas.

Adoro o que escreves, é sempre bom passar por aqui.

Hasta luego!

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Sou o verbo: o estado, o tempo e a ação contínua.

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