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Silvana Bronze
on 22 de set. de 2011
Amores de infância... filho da minha juventude,
Meu amigo, meu irmão: parte do meu coração.
Guardo em ti a mocidade tensa,
Os dias do meu eterno regresso à tua mente perversa.
Tuas vírgulas, minha solidez guerrida e cáustica...
De meia volta, volta e meia volta na vida que não presta
E passa...
Fundida meia, cossa em ferro: Maleabilidade plástica.
Sou a Cria torpe e densa da tua imagem gasta,
Tua Literatura negra e fantástica!
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Silvana Bronze
on 20 de ago. de 2011
Nunca mais um abraço,
Nunca mais um sorriso,
Uma mão, um olhar.
Nunca mais a nascente lágrima
Que escorre em meu rosto
Sujo e roto de tanto chorar.
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Silvana Bronze
on 10 de fev. de 2011
Marília tinha um lenço...
Umedecido de lágrimas perdidas,
Apertado com força entre a palma e os dedos,
Estancava o azul de uma veia partida.
Sentada de costas à porta,
Marília zangada e chorosa esperava visita.
E sabia que o dia sangrava cansado,
E sabia que à noite o amor não viria.
Entre as rosas e as linhas bordadas,
Sossegava Marília mentindo,
Que no seu coração se acalmava
Uma força sem mal nem medida.
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Silvana Bronze
on 12 de ago. de 2010
Faz tempo, um dia eu vi,
num destes arrabaldes de solar,
mundialmente conhecido como mar,
a luz de foz traçada clara sobre um vidro.
Meu Deus!
Não sou atéia, mas duvido,
que nesta terra úmida de limo
a areia branca possa ao por do sol iluminar.
Um concerto de luar, azul azul de enfeitiçar
um olho negro, um céu vermelho,
o paradoxo solar no espelho,
e minha voz emudecida pela voz do mar.
Me contem outra história
caduca de palavras repetidas,
porque não há visão melhor pra se lembrar
do que a luz amortecida deste mar
guardada pelo vão do sol na minha retina.
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Silvana Bronze
on 26 de jul. de 2010
Um pervertido
que troca de caneta, de gosto, de rosto,
na mais satisfatória vontade de definir as coisas da vida.
É pervertido,
não perverso, nem travestido.
Não!
Antes bem mais um príncipe abastado,
rico de palavra, cujo universo somente pode existir
mediante ao exercício constante da arte de polir a metáfora.
Um pervertedor, um adjetivador,
biruta, pirado, sem compromisso
com a lógica razão lógica.
O curinga nada mais é
do que o arlequim magricela do folclore veneziano
que rouba demasiadas vezes a mulher do Pierrô.
Eis o poeta.
Nunca puro, nunca casto.
Não contêm a sua natureza
nada que remeta a qualquer ideal castratório.
Não é, porém, marginal num sentido criminoso.
Está mais para um vadio, um vagabundo luxurioso
que perverte os outros à sua prática ilusória da Poesia.
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Silvana Bronze
A poesia é algo de viceral,doente!Qualquer coisa quenteque se escapa quanto também escapamos sentidos da razão irreal,
Irreal,
tosca,
Doente!
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Silvana Bronze
on 22 de abr. de 2010
Os dias sucedem aos diasE os homens, aos homens.Cada geração põe a ferroTodas as provações humanas.É como se todos os desejosSe repetissem infinitamenteEm cada novo choro de criança.
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Silvana Bronze
Te dedico este verso
De palavras tão pardas,
Corações tão frágeis
E melodia quebrada.
Queria que o som
Que voasse do nada
Me viesse, sonora,
A cantar tua história.
Sei da tua morada,
No meu seio e de cada
Sensação entoada
Em teu tom, direção.
Por favor não me mate,
Nem me cure tão forte
Pois eu quero viver
Deste som que me falta.
Hoje só sei que me bate
Num vagar sem a causa
Um sonar que não pausa
E que grita o teu nome.
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Silvana Bronze
on 27 de mar. de 2010
Minha doença é dos olhosE eu já não tenho pouca febre.Minha esperança é intensaE minhas preces, todas leves.Adoeço nestes dias tão tensosComo não eram noutras épocas.E minhas angústias no lençoMe levam sempre aonde querem.Admiro os que não cismam,Os que não olham somente com os olhos,Os que não matam, não mentem,Nem cultivam memórias tão breves.Minha doença é dos olhos:Quanto mais me vejo, mais adoeço,E os fios do laço que guardam o tempoConservam de todo o calor da febre.
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Silvana Bronze
on 22 de fev. de 2010
O porto não vai a lugar algum,
Morre nas partidas,
Vive das chegadas
E vem das ondas sustentadas
Ofertar a terra forte que se pisa.
Meu porto é corpo ostentado,
Lugar de sorte vã e de magia
Que nas curvas mais inesperadas
Vêm parar as tristes horas
Que me fazem companhia.
Morto o lenço fraco,
Sacudido com tristeza na partida
Fica o frio no porto e o laço
Que forçosamente parto
Pra na volta não manter a chama viva.