No meu quarto de dormir
Tem parede e entalho velho.
O meu quarto já foi quarto,
Foi masmorra,
Foi alcova
E cemitério.
Na parede um crucifixo,
Sobre a cama, entalho velho.
No meu quarto tive ratos,
Paladinos e insensatos,
Só não tive foi critério.
Neste quarto dos meus atos
Plantei verso, colhi choro,
Mas com riso muito pouco.
Foi lugar da amizade
Ou refúgio da saudade
E sempre ali, o entalho velho.
O acordo
Postado por
Silvana Bronze
Meia noite sossegada
Vejo o prado ruazinha.
Passa ao longo o fino vento
Que me leva o pensamento,
E faz gelar até a espinha.
Meia noite encruzilhada
Me pergunto quem caminha.
Vem a voz do firmamento
Vem com sopro grave e seco,
Faz gelar até a espinha.
– Quem és tu?
– Sou o preto Principá,
Vim das bandas do Oeste
E teus sonhos vão comigo,
Vão comigo eu vim levar.
– Vais levar baú vazio,
Que a muito deixará,
Tão pesado que se preste,
Que se preste a te enganar.
– Vens contar história velha
Para alguém que faz trabalho
A arte antiga de enganar?
Te sugiro então trocar.
– Trocarei então contigo.
Quero um Dom, meu velho amigo.
Quero o dom de me expressar
Para nas dobras deste tempo
Minha letra aqui deixar.
– Feito!
Levo então aqui comigo
Da medula ao pensamento,
Levo a alma e deixo o corpo
Que é pra ti ficar com o sopro
Da inspiração por dentro.
Vejo o prado ruazinha.
Passa ao longo o fino vento
Que me leva o pensamento,
E faz gelar até a espinha.
Meia noite encruzilhada
Me pergunto quem caminha.
Vem a voz do firmamento
Vem com sopro grave e seco,
Faz gelar até a espinha.
– Quem és tu?
– Sou o preto Principá,
Vim das bandas do Oeste
E teus sonhos vão comigo,
Vão comigo eu vim levar.
– Vais levar baú vazio,
Que a muito deixará,
Tão pesado que se preste,
Que se preste a te enganar.
– Vens contar história velha
Para alguém que faz trabalho
A arte antiga de enganar?
Te sugiro então trocar.
– Trocarei então contigo.
Quero um Dom, meu velho amigo.
Quero o dom de me expressar
Para nas dobras deste tempo
Minha letra aqui deixar.
– Feito!
Levo então aqui comigo
Da medula ao pensamento,
Levo a alma e deixo o corpo
Que é pra ti ficar com o sopro
Da inspiração por dentro.
Fábio
Postado por
Silvana Bronze
on 22 de jul. de 2009
O céu amanheceu escurecido,
Cinza como a tristeza
Que a partir de então
Já não me sai mais da cabeça.
Do meu sangue não tive irmão,
A vida negou.
Mas tu , querido amigo,
Foi muito mais do que um amigo
Foi muito próximo de um irmão.
E se eu pudesse te contar
Porque ja não te esqueço...
Acontece que agradeço
Tuas piadas engraçadas
Tua lealdade e amizade,
E muito mais do que mereço.
Não, eu não tive irmãos!
Tive muito mais do que esperava:
Tive um amigo,
Que dessa vida se foi
Mas vai estar sempre comigo.
Cinza como a tristeza
Que a partir de então
Já não me sai mais da cabeça.
Do meu sangue não tive irmão,
A vida negou.
Mas tu , querido amigo,
Foi muito mais do que um amigo
Foi muito próximo de um irmão.
E se eu pudesse te contar
Porque ja não te esqueço...
Acontece que agradeço
Tuas piadas engraçadas
Tua lealdade e amizade,
E muito mais do que mereço.
Não, eu não tive irmãos!
Tive muito mais do que esperava:
Tive um amigo,
Que dessa vida se foi
Mas vai estar sempre comigo.
Sobre os olhos negros
Postado por
Silvana Bronze
on 16 de jul. de 2009
Nem se eu violentasse a palavra
Para extrair dela tudo o que pode dizer,
Conseguiria assim descrever
As coisas que por trás destes olhos
Tu guardas...
Para extrair dela tudo o que pode dizer,
Conseguiria assim descrever
As coisas que por trás destes olhos
Tu guardas...
Um Deus de dois...
Postado por
Silvana Bronze
on 7 de jul. de 2009
De dois em dois se fez ambivalência
E tudo em dois precisa a encarnação.
Se em duas faces mostra onisciência
Oposto é sempre tudo em suas mãos
E em nada é só a conciência.
De dois em dois divide a excelência
Pois em dois se equilibra a boa ação.
Somente em dois se dá a asa a sapiência
E entre dois divide em meia essência
Para juntar depois em Criação.
E tudo em dois precisa a encarnação.
Se em duas faces mostra onisciência
Oposto é sempre tudo em suas mãos
E em nada é só a conciência.
De dois em dois divide a excelência
Pois em dois se equilibra a boa ação.
Somente em dois se dá a asa a sapiência
E entre dois divide em meia essência
Para juntar depois em Criação.
Cantiga da moda
Postado por
Silvana Bronze
on 26 de jun. de 2009
O belo foi à feira
Buscar nariz de pau,
Tão torta era a abeira
Que ao belo fazia mal.
Achava o nariz cheio,
Queria pra completar
No rosto sisudo e feio
Um talo pra sossegar.
A todos mostrava tudo,
Que já não era o mesmo:
Um belo dum narigudo
C’um tronco que dava um remo.
As moças se reclamavam,
Mas não do seu nariz.
É que era um arrogante
Somado ao chafariz.
Um belo de um isibido,
Com ares de carrancudo;
Aos rasos era querido
Nem tanto aos mais profundos.
E nada fazia dele
Melhor do que queria.
Se era por dentro feio
Foi mais do que devia...
Buscar nariz de pau,
Tão torta era a abeira
Que ao belo fazia mal.
Achava o nariz cheio,
Queria pra completar
No rosto sisudo e feio
Um talo pra sossegar.
A todos mostrava tudo,
Que já não era o mesmo:
Um belo dum narigudo
C’um tronco que dava um remo.
As moças se reclamavam,
Mas não do seu nariz.
É que era um arrogante
Somado ao chafariz.
Um belo de um isibido,
Com ares de carrancudo;
Aos rasos era querido
Nem tanto aos mais profundos.
E nada fazia dele
Melhor do que queria.
Se era por dentro feio
Foi mais do que devia...
A chuva azul
Postado por
Silvana Bronze
on 22 de jun. de 2009
Chove
Como quem chora a chuva
No mais profundo rio vazio,
Como quem ora à hora
Da chuva azul sentindo frio.
E se na reza acha
A paz na alma que acalma,
Mas chora e mais reza
Para que esta chuva
Leve embora o que ainda resta.
Como quem chora a chuva
No mais profundo rio vazio,
Como quem ora à hora
Da chuva azul sentindo frio.
E se na reza acha
A paz na alma que acalma,
Mas chora e mais reza
Para que esta chuva
Leve embora o que ainda resta.
Correnteza
Postado por
Silvana Bronze
on 14 de jun. de 2009
Como pode esse desejo
Arder no peito tanto
Se não há de igual
Tão forte anseio
Que acalme a viva alma
Deste mar em pranto?
Como pode a luz da lua
Teu fino rosto transformar,
Pintar teus olhos de vontade,
O peito alvo revelar;
Se quando vem o dia
Já não és meu mesmo par?
Pois ouça o canto das marés,
O fio forte, correnteza.
E se um dia o forte abalo
Destas ondas vier te inundar,
Saibas que deste lugar
Não serei mais estado.
Já me terei levado,
Pois sempre fui aquela
Que das ondas se deixou levar.
Arder no peito tanto
Se não há de igual
Tão forte anseio
Que acalme a viva alma
Deste mar em pranto?
Como pode a luz da lua
Teu fino rosto transformar,
Pintar teus olhos de vontade,
O peito alvo revelar;
Se quando vem o dia
Já não és meu mesmo par?
Pois ouça o canto das marés,
O fio forte, correnteza.
E se um dia o forte abalo
Destas ondas vier te inundar,
Saibas que deste lugar
Não serei mais estado.
Já me terei levado,
Pois sempre fui aquela
Que das ondas se deixou levar.
Ecos sempre frios
Postado por
Silvana Bronze
on 13 de jun. de 2009
Soa o bruto dos cimentos
De um castelo que ruiu.
São fantasmas barulhentos
Que não dormem
Se não dorme junto deles
A lembrança de um certo mês de abril.
Toda vez que vem o frio
Traz consigo a dor ausente,
Vem cantando bem mais próximo
O que sente,
Cortante e fino, feito um assobio.
Parte o peito mas não parte.
São ruídos bem satíricos
Que insistem em me tocar.
Vêm dançando sobre as folhas
Provocando o ar sutil,
Levantando com os mortos,
Congelando até meus ossos.
E como as sombras poderosas,
Vão refugiar-se na escuridão
Do inverno com a fina bruma,
Ato final dessa amargura.
E vivo presa à ruína pedregosa,
Ecos de um tempo que não cura.
De um castelo que ruiu.
São fantasmas barulhentos
Que não dormem
Se não dorme junto deles
A lembrança de um certo mês de abril.
Toda vez que vem o frio
Traz consigo a dor ausente,
Vem cantando bem mais próximo
O que sente,
Cortante e fino, feito um assobio.
Parte o peito mas não parte.
São ruídos bem satíricos
Que insistem em me tocar.
Vêm dançando sobre as folhas
Provocando o ar sutil,
Levantando com os mortos,
Congelando até meus ossos.
E como as sombras poderosas,
Vão refugiar-se na escuridão
Do inverno com a fina bruma,
Ato final dessa amargura.
E vivo presa à ruína pedregosa,
Ecos de um tempo que não cura.
O Canto Liberto
Postado por
Silvana Bronze
on 6 de jun. de 2009
Não tarda o triste povo
A dar seu grito em liberdade.
Virá das ruas, das cidades,
E dos pulmões em pleno sopro.
Pois tão cruel tem sido
O trato dado a esta gente,
Que mais se dá e muito sente
A viva voz do despotismo.
Contra toda a tirania governante
Que oprime a humanidade,
Que se esconde da verdade,
Virá do povo, apraz, a mão cortante.
Porque já é hora de saber mais
E ver o rosto do poder que já ruiu.
Pois se um dia um déspota caiu,
Há de cair outros mais.
A dar seu grito em liberdade.
Virá das ruas, das cidades,
E dos pulmões em pleno sopro.
Pois tão cruel tem sido
O trato dado a esta gente,
Que mais se dá e muito sente
A viva voz do despotismo.
Contra toda a tirania governante
Que oprime a humanidade,
Que se esconde da verdade,
Virá do povo, apraz, a mão cortante.
Porque já é hora de saber mais
E ver o rosto do poder que já ruiu.
Pois se um dia um déspota caiu,
Há de cair outros mais.
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